Experimentando o tempo como espaço aberto ao voo:

narrativas em movimento na pesquisa em Educação

Resumo

Neste texto, alçamos voo, rascunhando compreensões singulares com os processos formativos e, em especial, sobre o trabalho com os coletivos docentes, com os espaços de produção, sempre plural e horizontal, na direção de pensar as narrativas de formação, interrogando como operamos em nossas pesquisas. Entendemos as narrativas produzidas na lógica Sankofa, a qual requer que busquemos aquilo que ficou para trás e não podemos desperdiçar; experiências que não podem ser descartadas em nome da globalização ou de uma promessa de futuro salvacionista pelo mercado internacional, pelos gabinetes e sistemas econômicos que invadem a América Latina e as práticas docentes. A aposta “teóricometodológica” reside na pesquisa-formação (Josso, 2004) em diálogo com a perspectiva (auto)biográfica por entender que essa alocação epistemopolítica parte das complexas relações individuais de cada sujeito, tomado em suas inscrições de vida nos entornos histórico, social, cultural e político. Ambientada pela memória, organizamos a análise, por meio das memórias-fragmento (Bragança, 2022), isto é, miudezas, subversões do instituído em um falar da e com a vida assumindo atravessamentos biográficos e autobiográficos. Apreendemos que as memórias-fragmento, em nossas pesquisas, apontam para a ação de sentir como um caminhar vivaz na pesquisa com narrativas docentes. Uma espessura sensível da emergência do trabalho pedagógico que enfrenta a produção de inexistências advindas do cientificismo positivista. Palavras-chave: formação de professores; narrativas; pesquisa-formação; sankofa.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Allan Rodrigues, Universidade Federal do Maranhão - UFMA

Doutor em Educação, Professor Adjunto da Universidade Federal do Maranhão. Professor do Programa de Pós graduação em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Bolsista CAPES/Pós Doutoral. Lider do Grupo de Pesquisa Ayo.

Sandro tiago silva Figueira, Universidade Federal Fluminense - UFF

Doutor em Ciências, Professor Adjunto no Departamento de Ciências Humanas da Universidade Federal Fluminense (UFF/INFES). Professor no Programa de Pós-Graduação em Educação Processos Formativos e Desigualdades Sociais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Líder do Grupo de Pesquisa ViDA (UFF/CNPq).

Clarissa Quintanilha, Universidade Estácio de Sá - UNESA

Doutora em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Professora da Universidade Estácio de Sá e coordenadora grupo de pesquisa: ''Diversidade e Inclusão: diálogos transdisciplinares'

Referências

BRAGANÇA, Inês Ferreira de Souza. Pesquisaformação. In: REIS, Graça; OLIVEIRA, Inês Barbosa de; BARONI, Patrícia (org.). Dicionário de pesquisa narrativa. Rio de Janeiro: Ayvu, 2022.

DELORY-MOMBERGER, Christine. A condição biográfica: ensaios sobre a narrativa de si na modernidade avançada. Natal: EDUFRN, 2012.

FIGUEIRA, Sandro Tiago da Silva. Habitar a docência no espaço significado da escola: ressonâncias coletivas em formação continuada. Revista Teias, Rio de Janeiro, v. 24, n. 75, p. 120-132, 2023.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 12. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999.

JOSSO, Marie-Christine. Experiências de vida e formação. São Paulo: Cortez, 2004.

JOSSO, Marie-Christine. Histórias de vida e formação: suas funcionalidades em pesquisa, formação e práticas sociais. Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)Biográfica, Salvador, v. 5, n. 13, p. 40-54, jan./abr. 2020.

PASSEGGI, Maria da Conceição. Narrar é humano! Autobiografar é um processo civilizatório. In: PASSEGGI, Maria da Conceição; SILVA, Vivian Batista (org.). Invenções de vida, compreensão de itinerários e alternativas de formação. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010. p. 103-130.

PASSEGGI, Maria da Conceição; SOUZA, Elizeu Clementino de. O movimento (Auto)Biográfico no Brasil: esboço de suas configurações no campo educacional. Revista Investigación Cualitativa, v. 2, n. 1, p. 6-26, 2017.

PIMENTA, Selma Garrido; SEVERO, José Leonardo Rolim de Lima. A didática na Base Nacional Comum da formação docente no Brasil – Guinada ao tecnicismo no contexto da mercadorização da educação pública. In: CANDAU, Vera Maria; CRUZ, Giseli Barreto da; FERNANDES, Claudia (org.). Didática e fazeres-saberes pedagógicos: diálogos, insurgências e políticas. Petrópolis: Vozes, 2020. p. 45-68.

QUINTANILHA, Clarissa Moura. Mandalas narrativas: uma proposta de dialogar com as experiências formadoras docentes. 2023. 180 f. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Formação de Professores, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, São Gonçalo, 2023.

RODRIGUES, Allan de Carvalho. Os coletivos docentes e as redes curriculares. 2023. 145 f. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2023.

SOUZA, Elizeu Clementino de. (Auto)biografia, ciência e arte: diálogos com Oliver Sacks. Revista e-Curriculum, São Paulo, v. 21, p. 1-17, 2023.

Publicado
2026-09-24
Como Citar
Rodrigues, A., Silva Figueira, S. T., & Quintanilha , C. (2026). Experimentando o tempo como espaço aberto ao voo: : narrativas em movimento na pesquisa em Educação. Cadernos De Educação, (70). https://doi.org/10.15210/caduc.vi70.29478
Seção
Dossiê: NARRATIVAS (AUTO)BIOGRÁFICAS EM PROCESSOS FORMATIVOS