Entre a Vitrine Espetacular e o Laboratório de Situações: espetáculo, decolonialidade e o futuro dos museus

Palavras-chave: Sociedade do espetáculo, Decolonialidade, Museologia, Futuro, Museu como

Resumo

Este artigo investiga as interfaces possíveis entre a teoria do espetáculo de Guy Debord e as teorias decoloniais, tomando a noção de futuro como fio condutor. Argumenta-se que as duas tradições convergem no diagnóstico de que o futuro legitimado pela modernidade ocidental não é dado naturalmente, mas produzido como dispositivo de poder – seja pela lógica do espetáculo, seja pela colonialidade –, e divergem quanto ao horizonte que propõem, um futuro ainda inscrito em categorias modernas de revolução e sujeito universal, no primeiro caso; uma pluralidade de futuros descentrados e ancorados em saberes não europeus, no segundo. Essa articulação teórica, construída de modo crítico e seletivo, é então testada no campo museal, mostrado como espaço em que o museu pode operar simultaneamente como dispositivo espetacular, ao converter ciência, memória e cultura em imagem-mercadoria; e como dispositivo colonial, ao organizar acervos e narrativas segundo uma temporalidade hegemônica que relega povos colonizados à condição de passado. Como resposta a esse duplo fechamento, o artigo recupera a produção museológica brasileira – da teoria do "fato museal" à museologia social e à crítica decolonial da própria teoria museológica – para propor o museu como "laboratório de situações", espaço de invenção coletiva de futuros, e não vitrine de um passado espetacularizado. Práticas concretas de museus de território, curadorias compartilhadas e museus universitários em contexto de precariedade ilustram essa reformulação, sustentando a tese de que o futuro dos museus é um campo em disputa, e não um destino inevitável.

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Biografia do Autor

Daniel Mauricio Viana de Souza, Universidade Federal de Pelotas. Pelotas-RS, Brasil.

Doutor em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFRGS, com período sanduíche no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Mestre em Ciência da Informação pelo PPGCI- IBICT/UFF. Graduado em Museologia pela  UNIRIO. Professor do Departamento de Museologia, Conservação e Restauro, e do Programa de Pós-Graduação em Memória Social e Patrimônio Cultural da UFPel. Coordenador no Núcleo de Estudos sobre Museus, Ciência e Sociedade (NEMuCS). Coordenador do MuDI - Museu Diários do Isolamento. Dedica-se a estudos vinculados à Museus, Ciência, Divulgação Científica, Sociologia da Ciência e Teoria da Sociedade do Espetáculo.

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Publicado
2026-11-03
Como Citar
SOUZA, D. M. V. DE. Entre a Vitrine Espetacular e o Laboratório de Situações: espetáculo, decolonialidade e o futuro dos museus . Expressa Extensão, v. 31, n. 3, p. esp0102, 3 nov. 2026.