O início da arqueologia histórico-cultural moderna e os estudos de indústria lítica sambaquiana (1930 – 1950)

  • Arthur Braga Alves Mestrando no Programa de Pós-graduação em Arqueologia do Museu Nacional / UFRJ
  • Madu Gaspar Museu Nacional /UFRJ
Palavras-chave: Sambaquis, Histórico das pesquisas, Indústrias líticas, histórico-culturalismo

Resumo

Este artigo dá continuidade à apresentação do histórico das pesquisas sobre os grupos sambaquianos e suas indústrias líticas, com ênfase nos paradigmas que marcaram cada período da investigação arqueológica nesse campo. Trata-se da terceira publicação de uma série dedicada ao tema. Neste texto, abordamos o desenvolvimento da arqueologia histórico-cultural moderna, no recorte temporal entre o Estado Novo em 1930 até a década anterior a Ditadura Militar, 1950. Esse intervalo é caracterizado pelo amadurecimento da abordagem histórico-cultural, com a consolidação de objetivos científicos mais bem delineados e menos subordinados a interesses ideológicos relacionados à construção de uma identidade nacional. Observa-se, nesse contexto, um avanço significativo na caracterização do passado arqueológico brasileiro em termos geográficos, cronológicos e culturais. No que tange às análises das indústrias líticas, verifica-se uma progressiva superação das tipologias morfológicas estritas, com a adoção de classificações influenciadas pela tradição arqueológica francesa, destacando-se o foco nas cadeias operatórias e nos aspectos tecnológicos dos conjuntos artefatuais. O período é ainda marcado pela transição de uma epistemologia evolucionista unilinear para um evolucionismo multilinear de cunho particularista, sendo as interpretações das indústrias líticas profundamente influenciadas pelo estruturalismo. Registra-se, igualmente, um movimento em direção à institucionalização da disciplina, com iniciativas voltadas à profissionalização dos pesquisadores, à preservação dos sítios arqueológicos e à realização de missões científicas.

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Biografia do Autor

Arthur Braga Alves, Mestrando no Programa de Pós-graduação em Arqueologia do Museu Nacional / UFRJ
Arqueologia
Madu Gaspar, Museu Nacional /UFRJ

Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense(1976), mestrado em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro(1984), doutorado em Arqueologia pela Universidade de São Paulo(1991) e pós-doutorado pela University of Arizona(1998). Atualmente é Professor Colaborador da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Professor Colaborador Voluntário da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Pesquisadora nível 1B do CNPq do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, Membro de corpo editorial da Cadernos do LEPAARQ - Textos de Antropologia, Arqueologia e Patrimônio, da Universidade Federal da Bahia, da Universidade Federal Fluminense, da Universidade de São Paulo / Museu de Arqueologia e Etnologia, Membro de corpo editorial da TESSITURAS: REVISTA DE ANTROPOLOGIA E ARQUEOLOGIA e Membro de corpo editorial da Fuegia: Estudios Sociales y de Territorio. Tem experiência na área de Arqueologia. Atuando principalmente nos seguintes temas:Arqueologia.

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Publicado
2026-06-05
Como Citar
Alves, A. B., & Dulce Gaspar, M. (2026). O início da arqueologia histórico-cultural moderna e os estudos de indústria lítica sambaquiana (1930 – 1950). Cadernos Do LEPAARQ (UFPEL), 23(45), 6-44. https://doi.org/10.15210/lepaarq.v23i45.28797
Seção
Artigos