Como pode a arqueologia forense contribuir à reparação, à verdade e às memórias indígenas?

  • Henry Mähler-Nakashima Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra
Palavras-chave: povos indígenas, Kinja, Waimiri-Atroari, Genocídio indígena, arqueologia

Resumo

O presente texto tem por objetivo refletir como investigações arqueológicas podem contribuir para a ampliação das denúncias contra o estado brasileiro e seus agentes. Como referência, o caso dos Kinja, ocorrido entre 1967, início dos estudos e obras para a construção da rodovia BR-174, que cortou sua área, e 1989, quando já haviam sido construídas duas Usinas Hidrelétricas no mesmo território ancestral. Por se tratarem de indígenas, há desafios éticos envolvendo a memória do povo, resquícios institucionais em seus discursos, tensões políticas e a necessidade de compreender que a mais bem intencionada ação pode reproduzir colonialidades. Assim, técnicas forenses devem ser complemento à memória e ao testemunho dos indígenas, não a prova corroborativa ou elemento definidor da verdade histórica, sendo não mais do que outra perspectiva que aponte as ações violentas do estado brasileiro contra tais populações.

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Publicado
2025-12-15
Como Citar
Mähler-Nakashima, H. (2025). Como pode a arqueologia forense contribuir à reparação, à verdade e às memórias indígenas?. Cadernos Do LEPAARQ (UFPEL), 22(44), 84-97. https://doi.org/10.15210/lepaarq.v22i44.29324
Seção
Dossiê Lugares de Histórias Traumáticas