A chegada da extrema direita ao Planalto

Repercussões nas políticas públicas para as pessoas em situação de rua

Palavras-chave: Políticas públicas, Extrema-direita, Pessoas em situação de rua

Resumo

Segundo apuração feita pelo relatório mais recente do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, divulgado em setembro de 2023, o Brasil possuí mais de duzentas e trinta e cinco mil pessoas vivendo nas ruas. Este número descortina uma série de apontamentos sobre o despreparo do Estado brasileiro em lidar com este fenômeno, sobretudo, porque, a ideologia intrínseca ao modelo econômico e político, implementados após o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, em 2016, marcou a ascensão neoliberal praticada nos anos seguintes. Ato contínuo, a eleição de Jair Messias Bolsonaro sacramentou o desmonte de várias políticas sociais, como diagnosticado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos, que publicou, em 2022, um balanço confirmando a sistemática e drástica redução de recursos nas políticas sociais, de 2019 a 2021. Esse contexto político-econômico afetou o Sistema Único da Assistência Social e, em consequência, as políticas públicas destinadas às pessoas em situação de rua, não só pela diminuição de verbas e repasses federais, mas também pela narrativa de exclusão, preconceito e racismo, própria da extrema-direita. Essas reflexões se apresentam como objetos deste artigo. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica e documental do tipo exploratória.

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Biografia do Autor

Flávia Lee Cardoso Dias, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas)

Mestranda em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas). Advogada, Assistente Social e Professora de Direito Público.

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Publicado
2026-01-12
Como Citar
Dias, F. L. C. (2026). A chegada da extrema direita ao Planalto: Repercussões nas políticas públicas para as pessoas em situação de rua. Perspectivas Sociais, 12(01), e1129361. Recuperado de https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/percsoc/article/view/29361