A partilha do sertão
possibilidades entre as veredas de Guimarães Rosa e o pensamento de Jacques Rancière
Resumo
O presente artigo busca articular algumas possibilidades de diálogo entre a grande obra de Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas (1956), e o pensamento de Jacques Rancière, fincando-se, de forma mais especifica em suas obras A partilha do sensível: estética e política (2009) e O dissenso (1996). A ideia é associar conceitos como o de partilha do sensível, que denuncia a partilha desigual do comum, e o conceito de dissenso, que rompe com essa mesma partilha e possibilita o que Rancière compreende como política. Por sua vez, Grande Sertão: Veredas recepciona esses conceitos a partir de alguns casos específicos dentro da obra, como as relações entre alguns personagens, certas metáforas de eventos que ocorrem na obra, e a própria forma como a obra é construída. A política/estética de Rancière nos indica um sistema cujo principal objetivo é manter, por exemplo, o silencio de certas vozes, e o lugar de invisibilidade de determinados corpos, em uma estrutura antipolítica. Demonstraremos através da obra de Guimarães Rosa como a figura do excluído é invertida, proporcionando o que Rancière conceitua como dissenso.
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Referências
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