Corpos negros femininos nas literaturas africanas de expressão portuguesa

Palavras-chave: Literaturas africanas, Mulheres negras, Interseccionalidade., Reexistência., Colonialidade.

Resumo

As literaturas africanas de língua portuguesa têm se consolidado como espaços de resistência e de reescrita da história, especialmente por meio de vozes femininas que ressignificam corpo, memória e identidade. Este artigo propõe uma análise crítica da representação dos corpos negros femininos nas obras de Paulina Chiziane, Conceição Lima, Ana Paula Tavares e Yara Monteiro, tomando como base a noção de reexistência, entendida como estratégia de afirmação diante das marcas coloniais e patriarcais. A investigação articula teoria e crítica literária com aportes das Ciências Sociais, dialogando com conceitos de interseccionalidade, feminismos negros e decolonialidade. As análises privilegiam obras como Niketche: Uma história de poligamia, O útero da casa, Dizes-me coisas amargas como os frutos e Essa dama bate bué, destacando como as autoras reconfiguram narrativas sobre gênero, sexualidade, ancestralidade e diáspora. Busca-se evidenciar de que modo a escrita dessas autoras cria uma epistemologia própria, onde o corpo se torna um território de memória, resistência e poder, propondo novas leituras para a crítica literária africana contemporânea.

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Biografia do Autor

Mbiavanga Adão Garcia, Universidade Federal do Paraná

Doutorando em Estudos Literários pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Mestre em Estudos da Linguagem pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB) e graduado em Letras pela mesma instituição. É Especialista em Ensino de Língua e Literatura pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Membro do grupo de pesquisa GEREL (Grupos de Pesquisa em Pós-Crítica) da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). É fundador da Editora Afrobooks e Diretor Editorial da Editora Terapia Lírica.

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Publicado
2026-02-26
Como Citar
Garcia, M. A. (2026). Corpos negros femininos nas literaturas africanas de expressão portuguesa. Perspectivas Sociais, 12(01), e1129689. Recuperado de https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/percsoc/article/view/29689