Corpos negros femininos nas literaturas africanas de expressão portuguesa
Resumo
As literaturas africanas de língua portuguesa têm se consolidado como espaços de resistência e de reescrita da história, especialmente por meio de vozes femininas que ressignificam corpo, memória e identidade. Este artigo propõe uma análise crítica da representação dos corpos negros femininos nas obras de Paulina Chiziane, Conceição Lima, Ana Paula Tavares e Yara Monteiro, tomando como base a noção de reexistência, entendida como estratégia de afirmação diante das marcas coloniais e patriarcais. A investigação articula teoria e crítica literária com aportes das Ciências Sociais, dialogando com conceitos de interseccionalidade, feminismos negros e decolonialidade. As análises privilegiam obras como Niketche: Uma história de poligamia, O útero da casa, Dizes-me coisas amargas como os frutos e Essa dama bate bué, destacando como as autoras reconfiguram narrativas sobre gênero, sexualidade, ancestralidade e diáspora. Busca-se evidenciar de que modo a escrita dessas autoras cria uma epistemologia própria, onde o corpo se torna um território de memória, resistência e poder, propondo novas leituras para a crítica literária africana contemporânea.
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Referências
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