Entre a Casa-Grande e a Constituição
A legislação do trabalho doméstico no Brasil
Resumo
Este artigo, derivado de minha dissertação de mestrado, analisa a situação contemporânea do trabalho doméstico remunerado no Brasil, doze anos após a promulgação da PEC das Domésticas, examinando seus impactos à luz das transformações políticas e institucionais iniciadas nos anos 2000. Nesse período, políticas públicas voltadas à redução das desigualdades de gênero e raça impulsionaram avanços significativos na agenda de direitos, inserindo o trabalho doméstico, historicamente marcado pela informalidade, pela baixa remuneração e pela predominância de mulheres negras, no debate nacional sobre proteção social e reconhecimento laboral. O texto argumenta que a combinação entre mobilização sindical, expansão de políticas afirmativas e um governo alinhado aos interesses das classes trabalhadoras criou condições favoráveis para a ampliação de direitos. Entretanto, ao comparar esse momento de expansão com o cenário atual, o artigo evidencia limites persistentes, retrocessos legislativos e a reconfiguração da precariedade, especialmente após a regulamentação da PEC pela Lei Complementar 150 e pelas transformações recentes do mercado de trabalho. A análise destaca, portanto, como desigualdades interseccionais estruturam o setor e impedem que avanços legais se traduzam em proteção efetiva para a maioria das trabalhadoras domésticas.
Downloads
Referências
ARRETCHE, Marta. Desigualdades sociais no Brasil: contexto e perspectivas. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2015.
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Relatório de inflação, 2010.
BERNARDINO-COSTA, Joaze. Decolonialidade e interseccionalidade emancipadora: a organização política das trabalhadoras domésticas no Brasil. Revista Sociedade e Estado, v. 30, n. 1, 2015.
BRASIL. Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. Plano Nacional de Políticas para as Mulheres 2013-2015. Brasília, 2015.
CARNEIRO, Sueli. Enegrecer o feminismo: a situação da mulher negra na América Latina a partir de uma perspectiva de gênero. 2011.
CARVALHO, S. Uma visão geral sobre a reforma trabalhista. Mercado de Trabalho, v. 63, p. 81-94, 2017.
COLLINS, Patricia Hill. Pensamento feminista negro: conhecimento, consciência e a política do empoderamento. São Paulo: Boitempo, 2019.
CRENSHAW, Kimberlé. Documento para o encontro de especialistas em aspectos da discriminação racial relativos ao gênero. Revista Estudos Feministas, v. 10, n. 1, p. 171-188, 2002.
DAVIS, Angela. Mulheres, raça e classe. São Paulo: Boitempo, 2016.
DIEESE. O emprego doméstico no Brasil. Estudos e Pesquisas, 68, 2013.
DIEESE. O trabalho doméstico 10 anos após a PEC das Domésticas. Estudos e Pesquisas, 106, 2023.
FALQUET, Jules. Repensar as relações sociais de sexo, “raça” e classe na globalização neoliberal: um desafio para o feminismo. Sociedade e Estado, v. 32, n. 3, p. 743-762, 2017.
FRAGA, Ana Paula. O trabalho doméstico e a luta sindical: conquistas e desafios. São Paulo: Editora XYZ, 2016.
FRAGA, Alexandre Barbosa; MONTICELLI, Thays Almeida. “PEC das Domésticas”: holofotes e bastidores. Revista Estudos Feministas, v. 29, n. 3, p. 1–17, 2021.
FURNO, J. A longa abolição no Brasil: transformações recentes no trabalho doméstico. Dissertação de Mestrado (Instituto de Economia), Universidade Estadual de Campinas, 2016.
GONZALEZ, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. Revista Ciências Sociais Hoje, Anpocs, p. 223-244, 1984.
GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.
HADDAD, Yasmin Mussalem. Da PEC das Domésticas à pandemia da Covid-19: avanços e retrocessos no emprego doméstico. Dissertação de Mestrado (Programa de Pós-Graduação em Economia) – Instituto de Economia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2023.
HIRATA, Helena; KERGOAT, Danièle. Novas configurações da divisão sexual do trabalho. Cadernos de Pesquisa, v. 37, n. 132, p. 595-609, 2007.
IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD, 2011.
MARGARIDO, Larissa Cristina. Entre discursos e silêncios: a aprovação da PEC das domésticas na Câmara dos deputados. Cotia: Margem da Palavra, 2022.
OLIVEIRA, M. Relaciones entre covid-19, sexismo y racismo en Brasil: un análisis desde la economía feminista. Revista Economía, v. 73, n. 118, p. 39–50, 2021.
ONU MULHERES. Relatório sobre a inserção econômica das mulheres, 2016.
Organização Internacional do Trabalho (OIT). Convenção e recomendação sobre trabalho decente para as trabalhadoras e os trabalhadores domésticos (Série Trabalho doméstico remunerado no Brasil). 2011.
REBOUÇAS, Catharina. “A ‘Casa-Grande’ não abre mão” O trabalho doméstico remunerado durante a pandemia no Brasil. Revista Áskesis. v. 12 n. 2, 2023.
SAFFIOTI, Heleieth. A mulher na sociedade de classes. São Paulo: Expressão Popular, 2013.
SOUZA-LOBO, Elisabeth. A classe operária tem dois sexos: trabalho, dominação e resistência. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 1991.
TEIXEIRA, Luciana. Trabalho doméstico e nostalgia da escravidão. Revista de Ciências Sociais, v. 29, n. 2, 2021.
Copyright (c) 2026 Perspectivas Sociais

This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Os Direitos Autorais para artigos publicados nesta revista são do(a) autor(a), com direitos de primeira publicação para a revista. Os artigos são de uso gratuito em aplicações exclusivamente acadêmicas e educacionais e, portanto, não-comerciais.
DECLARAÇÃO DE RESPONSABILIDADE E DE AUTORIA
Submetemos à aprovação da Revista Perspectivas Sociais, ISSN 2317-7438, o manuscrito "TITULO" e declaramos que o trabalho é inédito, original e está sendo enviado com exclusividade ao periódico.
Informamos que todos os procedimentos éticos devidos foram observados, não infringindo nenhum copyright ou nenhum outro tipo de direito de propriedade de outras pessoas e todas as citações no texto são fatos verdadeiros ou baseados em pesquisa.
Declaramos que cada autor/a contribuiu substancialmente para a elaboração do esboço, a revisão crítica e aprovou a versão final do manuscrito.
Concordamos em ser responsável por todos os aspectos do trabalho, garantindo à exatidão ou à integridade de qualquer parte da obra.
Declaramos que foram ou não foram utilizados recursos de inteligência artificial para a construção do texto. (CASO TENHA SIDO UTILIZADO ALGUM RECURSO DE IA, INFORMAR SE FOI PARA ESCRITA / MELHORAMENTO DO TEXTO, PRODUÇÃO, ANÁLISE OU GERAÇÃO DE DADOS).
Nome completo do/a autor/a:
Nome completo do/a autor/a:
Nome completo do/a autor/a:
Data: ___/____/____