Entre plumas e fuzis
repressão e resistência de mulheres trans, travestis e transformistas na ditadura civil-militar brasileira (1964-1985)
Resumo
Sob a alegação de defesa da moral e dos bons costumes, a ditadura civil-militar brasileira inculcou na sociedade civil um juízo em torno da defesa da moral conservadora, mobilizando seu aparato repressivo e aparelhos de censura para perseguir e punir violentamente todos os grupos dissidentes que apresentavam ameaça à ordem nacional. Produziu, assim, a figura de um inimigo interno, o “subversivo”, que não se valeu apenas de contornos políticos, mas também de perfis morais, associando aqueles que se distanciavam do imaginário cis-hétero a uma forma de degeneração e corrupção da juventude; travestis e homossexuais se tornaram então sujeitos perigosos que ameaçavam os valores cristãos e ameaçavam a ordem sexual. A partir de revisão bibliográfica de trabalhos de autores como Letícia Nascimento, Fábio Henrique Lopes, Remom Bortolozzi, Renan Quinalha, Marcos Napolitano, Viviane Simakawa Vergueiro, Edward MacRae, Yuri Fraccaroli, Amara Rodovalho e Danièle Kergoat, o presente artigo objetiva recuperar e articular fragmentos da história desse conturbado período da história brasileira, investigando a resistência de mulheres trans, travestis e transformistas brasileiras frente à violência do aparato estatal repressivo do regime ditatorial, e contribuindo para um fazer historiográfico atravessado pela luta dos movimentos intertransvestigêneres pelo direito à memória.
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