PIXO - Revista de Arquitetura, Cidade e Contemporaneidade

A “PIXO – REVISTA DE ARQUITETURA, CIDADE E CONTEMPORANEIDADE” abrange as seguintes áreas do conhecimento: Arquitetura e Urbanismo, Artes, Filosofia, Educação, Geografia e Psicologia. Uma iniciativa conjunta dos Grupos de Pesquisa CNPQ Cidade+Contemporanenidade (PROGRAU/UFPel) e Arquitetura, Derrida e Interconexões (PROPAR/UFRGS), com classificação prévia CAPES QUALIS-periódicos A4 (para Avaliação Quadrienal de 2021).

A revista digital trimestral (primavera, verão, outono e inverno – ágil e contínua) reúne artigos, ensaios, entrevistas e resenhas (redigidos em português, inglês ou espanhol) em números temáticos e;  em torno da abordagem multidisciplinar de questões relacionadas à sociedade contemporânea, em especial na relação entre a arquitetura e cidade, habitando para isso as fronteiras da filosofia da desconstrução, das artes e da educação, a fim de criar ações projetuais e afectos para uma ética e estética urbana atual.

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Publicado: 2020-05-23
 

CHAMADA PARA A DÉCIMA QUARTA EDIÇÃO DA REVISTA PIXO

 

A PIXO – revista de arquitetura, cidade e contemporaneidade, em sua 14a. edição faz a chamada para o envio de artigos, ensaios, parede branca (imagens, vídeos, desenhos, pequenos textos, etc.), resenhas e entrevistas, com a temática EDUCAÇÃO EM ARQUITETURA: desafios para [re]integrar o ensino formal e a prática profissional na formação dos arquitetos diante das tecnologias digitais, dos processos colaborativos e do projetarCOM – desdobramento possível do pesquisarCOM – e da urbanização a um só tempo local e global.

Em Design in an Increasingly Small World (1996) Peter Rowe sugere que o papel da educação do arquiteto no mundo atual ainda não foi adequadamente definido; em Voices in architectural education (1991) Thomas Dutton sugere que os professores de arquitetura demonstram muito mais interesse em “desenvolver a teoria e a prática da arquitetura do que em desenvolver a teoria e a prática da educação”.

Quando organizaram o livro Quid novi? (2015), Fernando Lara e Sonia Marques provocaram seus colaboradores com duas perguntas: “por que a educação dos arquitetos permaneceu parada enquanto a profissão sofreu mudanças dramáticas nos últimos 30 anos?”; aos que entendem que o ensino de arquitetura não mudou muito nos últimos 50 anos, perguntaram: “como definir a relação entre educação e prática atualmente?”; aos que entendem que a formação do arquiteto de fato mudou, “ela teria mudado tanto quanto a profissão?”.

Em sua resposta Magali Sarfatti Larson Formação e Prática na arquitetura do século XXI: uma perspectiva sociológica (2015) – sugere que a arquitetura não deve ser inteiramente reduzida a um conhecimento codificado, porque, como em outras profissões práticas, “saber arquitetura” depende não apenas da aquisição de habilidades formais e complexas mas, também, da experiência e da cultura da prática, as quais, ambas, transmitem conhecimento tácito, através de interações pessoais e desempenhos, em contextos particulares e redes sociais. Para aqueles que aspiram tornar-se arquitetos e construtores, a formação e a prática juntas definem o futuro projetado. Como o ensino formal é integrado com a prática torna-se, assim, uma questão central na fabricação de um arquiteto profissional. Em primeiro lugar, a transformação interna da arquitetura pela revolução digital, ainda que, em 1990, o computador apenas começasse a afetar radicalmente esboços, especificações e projeto. Em segundo lugar, os efeitos do implacável surgimento da urbanização global, que foi mudando de modo mais profundo o contexto e o significado da arquitetura na prática e em seus produtos, agora globais.

Por sua vez Maria Ligia de Oliveira BarbosaFormação em arquitetura: como se constroem os profissionais (2015) – responde questionando o papel da universidade na delimitação do campo profissional da arquitetura no Brasil e seu papel como mantenedora de tal “profissionalismo”; desnuda as “estratégias cruciais para uma compreensão adequada dos processos pelos quais se produzem e se legitimam as desigualdades sociais do mundo contemporâneo” em sua forma moderna de organização; ou como são viabilizados os parâmetros da prestação de serviços, os modos como são obtidas as garantias relacionadas ao poder, prestígio e rendimentos dos arquitetos e seus reflexos na definição do que seja o profissional na formação dos arquitetos. E aponta duas vertentes: a do “puro credencialismo” ou “bacharelismo patrimonial”, dominante, que dificulta a emergência e consolidação da segunda, de “viés mais acadêmico” com uma perspectiva mais científica.

Em pesquisa dedicada a etnografar as práticas contemporâneas dos escritórios de arquitetura norte-americanos durante a década de 1980 – Architecture: the story of practice (1992) –  Dana Cuff se ocupa com a descrição dessas práticas e das relações entre os escritórios e clientes. Ao considerar que  a tarefa básica dos escritórios de arquitetura deveria ser reunir todos os participantes internos ou externos ao escritório para desenvolver um modo de trabalho interativo para criar soluções de projeto, a autora relaciona os conflitos e controvérsias individuais versus coletivos, tomada de decisões versus sentido das decisões, projeto e arte versus negócios e gestão, especialista versus generalista. Sua pesquisa possibilitou  concluir que, por um lado os arquitetos conhecem bastante sobre o crucial “trabalho de prancheta”, mas por outro lado, evidenciaram uma ignorância generalizada sobre a arte social do projeto, apontada como causa provável da maior parte dos problemas de projeto; que o núcleo das escolas ainda é o ateliê de projeto, normalmente complementado por disciplinas – como estruturas, história, gráfica, prática profissional; que na medida em que o projeto de construção se torna uma atividade especializada na arquitetura, as escolas deveriam estar muito mais voltadas para preparar muito mais especialistas em projeto do que somente para uma pequena fração de projetistas talentosos. Como alternativa, Cuff sugere um modelo que siga as práticas cotidianas da arquitetura no qual as escolas deveriam manter sua orientação generalista, mas em vez de formar os melhores projetistas, elas deveriam treiná-los para se tornarem os melhores líderes: além de projetistas competentes, a autora observa que as escolas de arquitetura precisam ampliar as habilidades de seus alunos em urbanismo, processos políticos, negociação, habilidades de liderança e economia do desenvolvimento.

Em The future that is now (2012) Stan Allen discute a mudança de relação entre a profissão e as escolas, bem como as incertezas sobre a mudança do papel do arquiteto na sociedade. Recorre a uma observação de Rem Koolhaas – “os arquitetos são, ao mesmo tempo, muito arrogantes e massivamente impotentes” – reconhece que os arquitetos não tem sido eficazes em muitas áreas tradicionais de seu domínio, apesar de seguirem potencialmente poderosos em outras arenas, talvez ainda imprevistas. Sugere que na atualidade as escolas deveriam “identificar essas novas arenas e capacidades"; que a formação se desvencilhe da teoria crítica obscura em favor de uma cultura da edificação; que no século XXI, projeto e edificação deveriam se transformar em função das exigências e possibilidades das tecnologias digitais; que os programas de doutorado deveriam abandonar progressivamente as abordagens históricas e individualistas em prol da “pesquisa colaborativa baseada na prática” o que tecnicamente estaria próximo de especialidades da engenharia e não muito longe da prática multidisciplinar das maiores firmas.

Em Um Prometeu cauteloso? alguns passos rumo a uma filosofia  do design (com especial atenção a Peter Slotedijk (2003)) Bruno Latour  relembra o entendimento da palavra design de sua juventude, que significava o que hoje entendemos por “relooking” – dar uma nova e bela aparência ou forma a alguma coisa que, se limitada apenas à sua função, implicava em acrescentar um superficial verniz formal às nossas criações para fazer diferença em questões de gosto e moda. Mesmo quando admirado na sua melhor tradição modernista, era entendido como um caminho alternativo: “preste atenção não somente à função, mas também ao design”, como se houvessem duas formas diferentes de apreciar um objeto: uma pela sua materialidade intrínseca; outra pelos  seus aspectos mais estéticos ou “simbólicos”. Segundo o autor, na atualidade o sentido da palavra “design” se tornou aplicável a estruturas cada vez maiores de produção em uma fascinante expansão ou mudança na forma como lidamos com objetos e ações de uma maneira geral. Com isso a divisão tipicamente modernista entre materialidade, de um lado e design, de outro, lentamente se dissolve e seus produtos se transformam de questões de fato em questões de interesse.

Essas são algumas questões, dentre tantas outras, indicativas da importância e necessidade de ampliarmos e aprofundarmos a reflexão sobre se e como a formação de arquitetos pode estar relacionada com algumas tendências do trabalho do arquiteto.

A submissão de trabalhos, necessariamente inéditos, deverá ser feita pelo sistema (cadastro em HTTPS://PERIODICOS.UFPEL.EDU.BR/OJS2/INDEX.PHP/PIXO/INDEX), cadastrando-se como “autor”, entre os dias 23/04/2020 e 16/07/2020.

Edição temática EDUCAÇÃO EM ARQUITETURA é dirigida pelos Profs. Drs. Eduardo Rocha e Paulo Afonso Rheingantz.

 
Publicado: 2020-04-20
 
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