Arquiteturas do progresso: Manaus, a Belle Époque e o projeto urbano republicano na Amazônia
Resumo
A pesquisa analisa as arquiteturas simbólicas e materiais da cidade de Manaus durante a Belle Époque, compreendendo-as como expressão concreta das contradições entre modernidade e marginalidade no contexto republicano amazônico. O estudo tem como objetivo interpretar como o projeto urbano do período articula progresso, memória e exclusão, revelando o urbano como campo de poder, representação e disputa. A investigação adota abordagem qualitativa, de natureza histórico-interpretativa, fundamentada em análise bibliográfica e hermenêutica das práticas urbanas e de seus vestígios materiais e simbólicos. A metodologia privilegia a leitura crítica de fontes históricas, registros arquitetônicos e narrativas memorialísticas, observando como o discurso da civilização se traduziu em políticas de visibilidade e apagamento. Os resultados indicam que as arquiteturas do progresso, longe de consolidarem uma modernidade plena, instituem um imaginário urbano fragmentado, no qual luxo e ruína coexistem como faces complementares da experiência amazônica. Conclui-se que o espaço manauara é mais que cenário: é um organismo de memória, cuja materialidade traduz tanto o desejo de pertencimento quanto as marcas de exclusão que o sustentam.
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