Quem decide o que será lembrado?
Inteligência artificial, acervos digitais e o futuro do direito à memória
Resumo
Este artigo investiga os impactos da inteligência artificial (IA) na governança de acervos digitais e suas implicações para o direito à memória, especialmente de grupos historicamente marginalizados. Diante da crescente automação dos processos de seleção, classificação e acesso a conteúdos digitais, questiona-se quem detém o poder de decidir o que será preservado e lembrado. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa de cunho teórico-crítico, fundamentada em autores como Derrida, Caswell, Ruha Benjamin e José van Dijck, articulando estudos arquivísticos, teoria da memória e crítica algorítmica. A análise revela que os algoritmos, frequentemente opacos e orientados por lógicas comerciais ou hegemônicas, tendem a reproduzir desigualdades e apagar narrativas periféricas. Conclui-se que a defesa do direito à memória exige mecanismos democráticos de curadoria digital, transparência algorítmica e o fortalecimento de instituições contra-hegemônicas — como arquivos comunitários e centros de documentação — capazes de resistir à colonização da memória pela lógica automatizada.
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