A escuta como lugar de enunciação
interlocuções com sujeitos com afasia sob a teoria enunciativa de Benveniste
Resumo
Este artigo investiga o papel da escuta como operador enunciativo na clínica da afasia, a partir da teoria da enunciação de Émile Benveniste. A pesquisa, de abordagem qualitativa e teórico-interpretativa, analisa interações entre sujeitos com afasia e terapeutas-interlocutores no Grupo Interdisciplinar de Convivência (GIC). Foram examinados fragmentos discursivos marcados por hesitações, silêncios e gestos, à luz das categorias de pessoa, tempo e espaço do aparelho formal da enunciação. Os resultados mostraram que, mesmo diante da falha linguística, os sujeitos permanecem implicados na linguagem, o que se evidencia na alternância de turnos sustentada pelos interlocutores, na insistência em dizer apesar das hesitações e na dimensão performativa da nomeação. Esses achados indicam que a escuta clínica não apenas acolhe a fragmentação, mas a transforma em possibilidade discursiva, sustentando a emergência do sujeito na linguagem.
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Referências
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