Editorial

Resumo

A década de 1960 marca uma nova era da história colonial no continente africano, período em que a grande maioria dos países se tornaram independentes, fruto do processo de lutas iniciadas desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1945). Os territórios colonizados por Portugal que formam o conjunto de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (Palop), tiveram as suas independências marcadamente na década de 1970. Em 1974, a Guiné-Bissau se tornou independente, e em 1975, foi a vez de Angola, Cabo-Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe. O advento das independências nestes territórios marca o surgimento de novas dinâmicas, tanto socioculturais, quanto geopolíticas, gerando identidades nacionais resultantes do processo de colonização e lutas comuns anticoloniais. Antes deste processo, estes territórios se estruturavam como reinos e impérios com diferentes grupos sociais. Em 2025, estes países celebram o cinquentenário das suas independências, o que nos leva a refletir sobre avanços e recuos nos Palop.

A Revista CEDEPEM apresenta o dossiê temático intitulado “Independências dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (Palop)”, reunindo contribuições acadêmicas que analisam as trajetórias políticas, sociais, econômicas e educacionais desses países, destacando suas resiliências, vulnerabilidades e potencialidades no cenário pós-colonial. Os artigos do Dossiê, refletem a diversidade de abordagens e o rigor analítico que caracterizam os Estudos Estratégicos e o Planejamento Espacial Marinho, áreas centrais da missão editorial desta Revista. O dossiê busca revisitar os processos históricos que culminaram nas independências dos Palop, ao examinar legados coloniais, desafios contemporâneos e perspectivas futuras dessas nações. A dimensão interdisciplinar dos trabalhos publicados ‒ que abrange Relações Internacionais, Educação, Política Externa e Direito Comercial ‒ enriquece o debate sobre o papel dos Palop no sistema internacional e suas conexões com o Brasil e outros atores globais.

A celebração dos 50 anos de independência é um marco simbólico que convida à reflexão crítica sobre avanços e retrocessos, assim como sobre as dinâmicas de cooperação e conflito que moldaram essas sociedades.

Em “Os Palop frente à atual crise sistêmica: entre a resiliência, as vulnerabilidades e as potencialidades”, de Kamilla Raquel Rizzi, analisa as trajetórias distintas dos Palop pós-independência, destacando fatores como instabilidade política, conflitos armados e desigualdades sociais, mas também ressaltando suas potencialidades geopolíticas, recursos naturais e soft power cultural.

Sabino Tobana Intanquê, examina o papel da educação como instrumento de conscientização e mobilização durante a luta pela independência, contrastando o sistema colonial excludente com as experiências educativas nas zonas libertadas pelo PAIGC em seu artigo “Educação nas zonas libertadas: impactos e consistências para independência da Guiné-Bissau entre 1965 e 1973”.

O artigo “O processo de independência dos Palop: uma análise da independência de Moçambique e sua trajetória”, de Amanda Silva Rêgo, explora as dinâmicas políticas e internacionais que envolveram a independência de Moçambique, com ênfase no conflito entre FRELIMO e RENAMO e nas relações bilaterais com o Brasil e com os PALOP.

Sabino Tobana Intanquê e Carlos Subuhana, avaliam as transformações no sistema educacional moçambicano após a independência, destacando os esforços para superar o legado colonial e promover a inclusão social em seu texto intitulado “Políticas públicas educacionais em Moçambique nos primeiros anos da independência (1975-1981)”.

No texto “Pragmatismo em política externa: a independência de Angola e relações bilaterais com o Brasil (1960-2000)”, Delmo Arguelhes investiga as estratégias diplomáticas do Brasil durante a guerra civil angolana, com foco no reconhecimento do MPLA e no alinhamento pragmático com as potências globais. Agradecemos aos autores, revisores e leitores por sua valiosa contribuição para este volume. Que esta edição sirva como um convite à reflexão contínua sobre o passado, presente e futuro dos PALOP e suas relações com o mundo lusófono.

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Biografia do Autor

Israel Mawete Ngola Manuel, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Doutorando em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Especialista em Filosofia e Sociologia pela Faculdade de Venda Nova do Imigrante (Faveni), graduado em Humanidades e Licenciado em Ciências Sociais pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira/UNILAB/IHL. Foi presidente da Associação de Estudante e Amigos da África (ASEA) da UNILAB - Campus dos Malês de 2019 - 2023, gestor do Departamento de Estudos Africanos no Centro de Estudos Diplomáticos (CED), é Representante Discente (RD) Conselheiro Titular no Programa de Pós-Graduação em Ciência Política (2026-2027), pesquisador no Grupo de Pesquisa África-Brasil: Produção de conhecimento, sociedade civil, desenvolvimento e cidadania global vinculado à Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira/IHL e no Centro de Estudos Estratégicos e Planejamento Espacial Marinho (CEDEPEM/UFPel).

Gustavo Gordo de Freitas, Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

Possui graduação em Relações Internacionais pela Universidade Federal Fluminense (2019). É Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de Pelotas (2024). Tem experiência na área de Ciência Política, com ênfase em Relações Internacionais, Bilaterais e Multilaterais e em Relações Civis-Militares. Atualmente cursa Doutorado em Ciência Política pela Universidade Federal de Pelotas.

Publicado
2026-01-21