Revista Discente Ofícios de Clio

A Revista Discente Ofícios de Clio é um projeto ligado ao Laboratório de Ensino de História (LEH), e ao Programa de Pós-Gradução em História (PPGH), ambos da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). A Revista tem periodicidade semestral e objetiva proporcionar aos nossos graduandos e pós graduandos, bem como aos alunos de áreas afins e/ou de outras Instituições, um espaço qualificado de debate e de incentivo ao incremento da pesquisa. Como se sabe, um grande número de revistas acadêmicas não aceitam artigos de alunos não formados e, em alguns casos, apenas de portadores de título de Mestrado. A Ofícios de Clio almeja oportunizar aos discentes o incremento de seus currículos, visando seu futuro desenvolvimento acadêmico e profissional. ISSN 2527-0524

Notícias

 

Chamada para submissão de artigos - Número 7

 

Convidamos a comunidade acadêmica a colaborar com a Revista Discente Ofícios de Clio, dos cursos de Graduação e Pós-Graduação da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). A Revista é ligada ao Laboratório de Ensino de História da UFPel (LEH) e vinculada ao Departamento de História e ao Programa de Pós-Graduação em História. Possui periodicidade semestral, sendo publicada em formato online no endereço https://periodicos.ufpel.edu.br/ojs2/index.php/CLIO , com ISSN 2527-0524.

Serão aceitos artigos inéditos de História ou temas afins. O autor deverá ser aluno de graduação ou pós-graduação, ou tê-la concluído no máximo há seis meses no momento do envio. A Revista Discente Ofícios de Clio é dividida em quatro seções. A primeira delas constitui-se de um dossiê temático, para o qual é convidado a participar, na condição de proponente, um pós graduando. A segunda seção é composta por artigos livres. A terceira seção é específica para área de Ensino de História e afins, contemplando reflexões teóricas sobre as práticas de ensino e experiências de ensino, tais como trabalho com monitorias, atividades do PIBID, estágios, experiências em Educação Patrimonial, etc. A quarta seção da revista será composta por resenhas de obras publicadas em língua portuguesa ou estrangeira.

Para nosso sétimo número estamos efetuando a chamada para o dossiê "Gênero, diversidades, interseccionalidades: perspectivas de análise na pesquisa histórica", sob a proposição e organização dos doutorandos Joelma Ferreira dos Santos e Jorge Luiz Zaluski, ambos da UDESC. 

No final dos anos 1980, o termo “gênero”, que vinha sendo empregado como sinônimo das diferenças sexuais ou para fazer referência à produção acadêmica relativa às mulheres, passou por um processo de revisão teórica e começou a se consolidar como conceito relacional. A partir das considerações de Joan Scott, em artigo originalmente publicado em 1988, o gênero é compreendido como “um elemento constitutivo de relações sociais baseado nas diferenças percebidas entre os sexos e [...] uma forma primeira de significar as relações de poder” (SCOTT, 1995, p. 86).
Na década de 1990, com a contribuição dos movimentos LGBT e com a “diferenciação já consolidada entre sexo e gênero” (LAMAS, 2016, p. 160), Judith Butler realizou um novo “giro” de reflexão acerca do conceito de gênero. Através de uma série de questionamentos/problemas, a filósofa não somente problematizou o caráter de uma essência feminina na mulher enquanto sexo biológico, como desenvolveu, a partir daí, sua teoria da performatividade para explicar como os corpos generificados são produzidos. “Ser mulher constituiria um ‘fato natural’ ou uma performance cultural, ou seria a ‘naturalidade’ constituída mediante atos performativos discursivamente compelidos, que produzem o corpo no interior das categorias de sexo e por meio delas?” (BUTLER, 2003, p. 8-9). Em outras palavras, a autora salientou que a relação sexo/gênero não é direta, tampouco compulsória. Sua contribuição teórica, portanto, abriu espaço para o entendimento das diversas identidades de gênero.
Por outro lado, o gênero como categoria única de análise também foi questionado, sobretudo por feministas afroamericanas, as quais se percebiam excluídas desse monolítico denominado “mulher”, denunciando que este incluía somente mulheres brancas e de classe média. Dessa forma, teóricas com Kimberlé Crenshaw (2004), bell hooks (2019), Audre Lorde (1984), entre outras, contribuíram para a formulação da noção de interseccionalidade e para a ampliação de ferramentas metodológicas, possibilitando, assim, uma análise de gênero entrecruzada por outras categorias de análise como raça/etnia, classe, idade/geração, sexualidade, religião, nacionalidade, dentre outras.
Diante das possibilidades de pesquisas sobre o tema, para este dossiê, serão bem-vindos, portanto, os trabalhos que dialoguem com a pluralidade de experiências e/ou representações de gênero, feminismos, masculinidades e diversidades – enfocando relações de poder, de violência ou de resistência – em perspectiva histórica ou interdisciplinar, utilizando fontes orais, impressas, literárias, imagéticas ou audiovisuais; bem como artigos livres, resenhas e artigos sobre ensino de história.

Referências bibliográficas:

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Trad. Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

CRENSHAW, Kimberlé. “A intersecionalidade na discriminação de raça e gênero”. VV. AA. Cruzamento: raça e gênero. Brasília: Unifem, 2004.
HOOKS, bell. Olhares negros: raça e representação. Trad. Stephanie Borges. São Paulo: Elefante, 2019.
LAMAS, Marta. “Género”. In: MORENO, Hortensia; ALCÁNTARA, Eva (Coordinadoras). Conceptos clave em los estudios de género. Vol. 1. México: UNAM; PUEG, 2016
LORDE, Audre. “Age, Race, Class and Sex: Women Redefining Difference”. In: LORDE, Audre. Sister Outsider: Essays and Speeches. Freedom, CA: Crossing Press, 1984.
SCOTT, Joan W. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade. Porto Alegre, vol. 20, nº 2, jul./dez. 1995, pp. 71-99.

As Normas e o Regimento da Revista encontram-se no site. Os artigos devem ser inéditos e seu conteúdo é de responsabilidade do autor. Informações adicionais podem ser solicitadas através do e-mail oficiosdeclio@gmail.com . A submissão de artigos se dará através do site da Revista http://periodicos.ufpel.edu.br/ojs2/index.php/CLIO e do envio simultâneo para o e-mail oficiosdeclio@gmail.com

Artigos a serem submetidos a este dossiê tem até o dia 31 de agosto de 2019 para serem enviados.

Pedimos ampla divulgação dessa chamada entre seus contatos.

 

A Editoria da Revista Discente Ofícios de Clio

 
Publicado: 2019-04-28
 
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